O Feminismo em Portugal está de Luto

Faleceu, no dia 3 de Setembro, uma das mentes mais brilhantes do feminismo em Portugal – Maria Isabel Barreno. A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta lamenta profundamente a sua morte e compromete-se a que lhe seja feita uma grande homenagem, que não foi possível fazer em vida. Escritora, feminista, investigadora, autora de mais de 20 títulos e co-autora das Novas Cartas Portuguesas, Maria Isabel Barreno deixou-nos uma obra marcante, escrita ainda antes das Novas Cartas.
Esse livro, infelizmente pouco conhecido, chama-se “A morte da mãe”. Nada melhor do que colocar neste texto, as suas palavras escritas nesse livro, como forma de a recordar e de expressar o sentimento de enorme admiração que temos para com ela.

Querida Maria Isabel Barreno,                                                                                             Obrigada pela obra que nos deixaste.                                                                                          Obrigada pela tua enorme solidariedade feminista.                                                              Até sempre!                                                                                                                                          A direção da UMAR

Do livro A morte da mãe, Lisboa, Editorial Caminho, 1989: “As mulheres continuam ocultas. Já muito se tem falado sobre elas: as coisas mudaram, num sentido e numa quantidade que há dez ou quinze anos seria impensável. No entanto, a maioria do que se diz e empreende relativamente às mulheres fica ainda numa margem relativamente superficial: na margem da funcionalidade, do estreitamente económico; nas margens de um sistema social que não quer, profundamente alterar-se”. (p.11)
“Explicaram-me primeiro que as mulheres têm ficado quase sempre em casa fazendo filhos e tricot; explicaram-me depois, com a grande paciência com que sempre fui tratada, que, quando se dizia homem, as palavras deviam ser vistas com maiúsculas, Homem, e que se pretendia com isso significar o ser humano, e todas as importantes coisas com ele relacionadas.
Mas, porque ficaram as mulheres em casa? E porque desapareceram elas nessa sombra linguística? Perguntei várias vezes sem que me tivessem dado resposta. Crescida, adulta, o meu filho, pequeno perguntou-me: “Mãe é verdade que os homens fazem tudo?”
A História dos homens está nos livros; mas a história das mulheres só é decifrável ao longo da cada vida”. (p.18)
Na foto, está Maria Isabel Barreno abraçando Maria Teresa Horta, sua grande companheira e amiga, no dia 13 de Abril de 2012 enquanto oradora no debate “Que causas para a opressão e ocultação histórica das mulheres?” promovido pela UMAR no Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF/UMAR) em que foi revisitado o seu livro “A Morte da Mãe”.
Sempre disponível a colaborar com a nossa associação, participou em outros momentos da vida da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, tendo sido, nomeadamente:
  • uma feministas por nós homenageada no Jantar de Homenagem às Feministas dos Anos 1970/80, realizado em 2006 no Mercado da Ribeira;
  • estando como oradora no programa do Congresso Feminista 2008;
  • uma das homenageadas a 17 de Dezembro de 2011, aquando do baptismo do jardim do Centro de Cultura e Intervenção Feminista (CCIF/UMAR) de “Jardim As Três Marias”, momento inserido no ciclo “Leituras Imparáveis – Um dia com as Novas Cartas Portuguesas”;
  • autora do prefácio da 1.ª edição dos “Percursos Feministas – Desafiar os Tempos”, publicado pela Universidade Feminista e lançado no CCIF/UMAR a 8 de Março de 2015.

 

Anúncios