Notícia a propósito da inauguração do CCIF

“Não é fácil, mas é uma honra, ser filho de uma feminista”, diz António Costa

O presidente da Câmara de Lisboa confidenciou à Lusa, a propósito da inauguração da nova sede da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), em Lisboa, que “não é fácil, mas é uma honra, ser filho de uma feminista”.

António Costa foi um dos oradores na cerimónia que abriu oficialmente as portas do Centro de Cultura e Intervenção Feminista, espaço que será dinamizado pela associação de mulheres UMAR mas aberto ao público.

“Não tenho nada contra as feministas, resisti aos traumas de infância”, garantiu, sorrindo, pois no mesmo local encontrava-se a sua mãe, a jornalista e feminista Maria António Palla.

O autarca confessou mesmo que momentos antes tinha estado a partilhar “memórias infantis” com Guilherme da Palma Carlos, filho da jurista e feminista Elina Guimarães, que dá nome ao Centro de Documentação e Arquivo Feminista que partilha o espaço com o Centro de Cultura e Intervenção Feminista.

Sobre o papel das autarquias na promoção da igualdade, António Costa realçou que, sendo as cidades “o espaço da diversidade”, devem também “pressupor a igualdade”. “É isso que é o grande legado do movimento feminista, de que a UMAR é hoje o grande depositário”, afirmou.

O Centro de Documentação e Arquivo Feminista Elina Guimarães “é um acervo muito importante, não só para os estudiosos, mas para a preservação dos valores, que são perenes, eternos e que devem inspirar muito daquilo que se há de continuar a fazer no futuro”, sustentou o autarca da capital.

“As questões que se colocam hoje já não são as mesmas que se colocavam há um século atrás ou há 20 anos, certamente são novas, e daqui a 20 anos novas questões ainda se vão colocar. É por isso importante que os valores persistam”, frisou, alertando para “o risco” de se desvalorizar a promoção da igualdade.

“Infelizmente, há sempre fenómenos que nos vão lembrando que não é assim e que esses valores da igualdade são valores que têm de ser preservados porque estão sob uma ameaça permanente“, contrapôs António Costa.

Também presente na cerimónia, a ex-presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e atual deputada socialista, Elza Pais, considerou que “a igualdade não está atualmente na agenda política”, lamentando a acumulação de pastas da secretária de Estado Teresa Morais (Igualdade e Assuntos Parlamentares) e “não ter ainda definido as suas prioridades” para a área da igualdade.

“Até que enfim”, comentou, por seu lado, a escritora e feminista Maria Teresa Horta quando chegou ao novo espaço, onde se encontrou com muitas companheiras de “luta”, como Maria Antónia Palla, Maria Antónia Fiadeiro, Natividade Monteiro, Lígia Amâncio, Helena Neves, Teresa Joaquim, Fina d’Armada.

Maria José Magalhães, presidente da UMAR, realçou que “o feminismo é uma cultura de intervenção” e que a sede agora inaugurada pretende ser “um espaço aberto ao diálogo”, tendo como eixos “a memória do passado, a energia do presente e a utopia do futuro”.

Manuela Tavares recordou o esforço da equipa que em 2005 recebeu “caixotes e caixotes” de documentação do antigo IDM (Informação Documentação Mulheres), situado “numa cave da Rua Filipe da Mata”, para os acolher “numa sede a cair”, até se instalar no espaço agora cedido pela autarquia, em Alcântara.

Salomé Coelho, coordenadora dos programas culturais do novo centro, apelou a sugestões por parte do público e resumiu o objetivo das futuras iniciativas: “Dar visibilidade à cultura feminista, que não tem espaço nos meios tradicionais”.

Notícia, aqui.

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