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Outono árabe, no CCIF: Ciclo de Cinema Mulheres Palestinianas e Curso Livre

 The camera is like a magic lantern that we embrace to make our
dreams come true. It is the tool we use to reclaim our existence,
memory, and humanity.
Mai Masri (realizadora palestiniana)

Apresentação
A experiência do que é ser palestiniana agrega vivências como a guerra, a despossessão, a desterritorilização, a pobreza e a emigração, mas essas experiências por si só não bastam para captar a complexidade das vidas destas mulheres. É igualmente necessário ter em conta uma cultura patriarcal, as amarras da tradição, bem como as tensões, os desafios e as convulsões políticas e sociais de sociedades em processo de modernização e sob forte impacto da globalização e da ingerência externa. Como vivem as palestinianas as diversas forças que as oprimem e querem silenciar? Como reagem, como se insurgem contra a ocupação israelita e lutam por direitos e pela emancipação? Para tentar compreender e reflectir sobre estas questões propomos dar a voz a realizadoras que reclamam uma identidade palestiniana e a cineastas do Médio Oriente que colocaram lutas de palestinianas no centro dos seus projectos cinematográficas. Um olhar cinematográfico sobre as mulheres palestinianas e os seus combates é assim também um olhar alternativo sobre o tão mediatizado conflito israelo-palestiniano.

À exibição de cada filme seguir-se-á um comentário e um debate aberto ao público.

Entrada Livre.

Responsáveis da Organização: Shahd Wadi e Júlia Garraio.

Uma iniciativa da UMAR e do Núcleo de Estudos sobre Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP), do Centro de Estudos Sociais (CES).

O ciclo decorre também em Coimbra, na Casa das Artes. Informações, aqui.

Os filmes

29 OUT // The Lemon Tree (Israel/Alemanha/França, 2008, Drama, 106m) de Eran Riklis a partir de um guião de Eran Ricklis e de Suha Arraf Salma Zidane, uma modesta viúva palestiniana, vive do seu limoeiro na Cisjordânia ocupada. Quando o Ministro da Defesa Israelita se muda para a vizinhança, os Serviços Secretos ordenam o corte das árvores por razões de segurança. Salma procura ajuda junto da Autoridade Palestiniana (ineficaz), do Exército Israelita (indiferente) e de um jovem advogado palestiniano, Ziad Daud, que se interessa pelo caso. Nesta alegoria será que David terá alguma hipótese contra Golias?

Filme legendado em inglês // Eran Ricklis (1954): realizador israelita com uma vasta obra cinematográfica. The Syrian Bride (2004) foi o seu maior êxito. Lemon tree foi inspirado num caso muito mediatizado em Israel: o de uma família palestiniana que tentou impedir em tribunal a confiscação das suas terras agrícolas para a construção do Muro da Cisjordânia. O filme teve fraca adesão do público israelita, mas a crítica foi maioritariamente positiva tanto em Israel como nos países estrangeiros onde passou. Suha Arraf (1969): realizadora, guionista e escritora palestiniana de Israel. Colaborou com Eran Riklis em vários filmes (The Syrian Bride, The Lemon Tree).

2 NOV | Arna’s Children (Israel/Holanda, 2003, Documentário, 85m) de Juliano Mer-Khamis e de Danniel Danniel Arna Mer Khamis, nascida numa família sionista, casou-se nos anos 50 com um árabe israelita, Saliba Khamis. Mais tarde promoveu métodos de ensino alternativo para crianças palestinianas afectadas pela ocupação israelita. O grupo de teatro que fundou em Jenin tentava ajudar as crianças a lidar com as suas frustrações, os medos, a raiva e a amargura. O filho de Arna, Juliano, que também colaborou no teatro de Jenin, filmou as crianças entre 1989 e 1996. Agora, após a batalha de Jenin, regressa para descobrir o que lhes aconteceu: Yussef participou num ataque suicida em Hadera em 2001, Ashraf foi abatido durante a batalha de Jenin, Alla lidera um grupo de resistência. Alternando imagens do passado com o presente, o documentário revela a tragédia e o horror da ocupação israelita.

Documentário legendado em inglês // Juliano Mer-Khamis (1958-2011): actor de teatro e de cinema, realizador e activista político israelita-Palestiniano, filho de mãe judia e de pai palestiniano. Em 2006, graças à onda de apoio internacional desencadeada pelo documentário aqui exibido, abriu o Teatro da Liberdade no campo de refugiados de Jenin. Foi assassinado a 4 de Abril de 2011 à porta desse mesmo teatro. // Danniel Danniel (1950): realizador e guionista israelita radicado na Holanda desde os anos 80.

9 NOV | Women in struggle (Palestina, 2004, Documentário, 56m) de Buthina Canaan Khoury. Documentário sobre mulheres palestinianas que cumpriram penas de prisão em Israel por participação em actividades de luta política e armada.

Documentário legendado em espanhol e inglês // Buthina Cannan Khoury: realizadora palestiniana de Ramallah. Em 2000 fundou a Majd Production Company, com o objectivo de produzir documentários, dando especial destaque a questões relacionadas com as mulheres palestinianas.

Maria’s Grotto (Palestina, 2007, Documentário, 52m) de Buthina Cannan Khour,y documentário sobre mulheres palestinianas cuja vida foi ditada por um código moral. Khoury investiga a questão dos crimes de honra na Palestina através das histórias de
quatro mulheres: a primeira é vítima de acusações falsas e assassinada pela família; uma segunda, em estado avançado de gravidez, é obrigada a ingerir veneno; a terceira sobrevive aos golpes do irmão; a quarta é uma jovem cantora hip-hop que se atreve a denunciar os crimes de honra e, por isso, recebe ameaças de morte. // Documentário legendado em espanhol

16 NOV | Rana’s Wedding (Palestina/Holanda/Emirados Árabes Unidos, 2002, 90m, Drama/ Comédia), de Hany Abu-Hassad a partir de um guião de Liana Badr e de Ihab Lamey. Rana, uma palestiniana de 17 anos de Jerusalém, acorda uma manhã com um ultimato do pai: terá de escolher um marido de uma lista de pretendentes que ele preparou ou mudar-se com ele para o Egipto às 16h00 do mesmo dia. Rana tem apenas dez horas para encontrar o seu amor proibido, Khalil, numa Jerusalém ocupada.

Filme legendado em inglês // Hany Abu-Hassad (1961): realizador palestiniano nascido em Israel e que emigrou para a Holanda em 1980. Realizou o famoso Paradise Now (2006) sobre dois palestinianos que preparam um ataque suicida. Liana Badr (1950): escritora palestiniana (romances, contos, literatura infantil, guiões). Nasceu em Jerusalém e viveu grande parte da vida em vários países do Médio Oriente (Líbano, Síria, Jordânia). Em 1994 radicou-se em Ramallah. Ihab Lamey: realizador e escritor egípcio. Obteve licenciatura do Instituo superior do cinema em Cairo em 1955, realizou vários filmes e documentários.

23 NOV | Salt of this sea (Palestina/Bélgica/França/Espanha/Suíça, 2008, 109m, drama/romântico) de Annemarie Jacir
Soraya cresceu em Brooklyn numa comunidade de refugiados palestinianos. Determinada a recuperar as poupanças do avô, perdidas desde 1948 numa conta bancária de Jaffa, decide realizar o sonho da sua vida e “regressar” à Palestina. Aí conhece Emad, um jovem palestiniano que, ao contrário de Soraya, tem como único sonho partir para o Ocidente. Cansados de verem as suas vidas determinadas por forças alheias, decidem que, para serem livres, terão de tomar nas mãos as rédeas do seus destinos mesmo se isso for ilegal. Um road-movie numa paisagem de guerra e de checkpoints israelitas.

Filme legendado em inglês // Annemarie Jacir (1974): realizadora e poeta palestiniana. A curta-metragem like twenty impossibles foi muito elogiada pela crítica e valeu-lhe vários prémios. Salt of this Sea, a primeira longa-metragem de uma realizadora palestiniana, passou em diversos países, onde recolheu críticas muito positivas. Jacir desenvolve projectos de promoção do cinema na Palestina.

Esta iniciativa só foi possível graças a uma série de apoios e de patrocínios. O nosso obrigada a Zein Tewfic Qattan, Buthina Canaan Khoury, Eran Riklis, Hany Abu-Hassad e Simone Markus.  Agradecemos igualmente às seguintes instituições e empresas: Amal International Euro-Arab Film Festival, Pieter van Huisteen Film, Augustin Film e Centro de Documentación sobre Cine Palestino Handala.

***

A 26 de Novembro, a encerrar o ciclo e abrir ainda mais o debate, teremos o Curso Livre FEMINISMOS E PERCURSOS DE IGUALDADE – Feminismos Árabes e Islâmicos, a partir das 9.30h, com convidadas/os internacionais que abordarão questões como o uso do véu (ou a sua proibição),  a participação das mulheres nas revoluções árabes, práticas tradicionais nefastas e muitos outros tópicos.

O café-bar do CCIF disponibiliza Almoço Árabe, no dia do Curso Livre, para quem se inscrever até dia 24 de Novembro, às 17h, para o mail umar.sede@sapo.pt.

Evento no facebook

3 NOV Jantar + Filme + Debate, em homenagem a Paula Tavares

No dia em que Paula Tavares faria anos, caso não tivesse desaparecido num trágico acidente de carro em 2009, o CCIF presta uma homenagem a esta activista ambiental e investigadora do IST.

19.30h Jantar Vegetariano

20.30h Exibição do filme Erin Brockovich (2000)

Sinopse

Erin Brockovich (Julia Roberts), uma mulher divorciada e com três filhos, passa por um dos piores momentos da sua vida: não tem dinheiro, não tem emprego e nenhum plano concreto para seguir em frente. Depois de um acidente de viação do qual não tem culpa, Erin vê-se numa situação ainda mais delicada quando o seu advogado é incapaz de conseguir qualquer tipo de indemnização. Contudo, e graças à sua persistência, consegue que ele a contrate como secretária no seu pequeno escritório. É enquanto está a trabalhar que Erin “tropeça” nalguns registos médicos colocados em arquivos imobiliários. Intrigada, começa a investigar e descobre a existência de águas contaminadas numa comunidade local, causadoras de doenças graves entre a população da zona. Erin conta com a ajuda do seu vizinho George (Aaron Eckhart), cuja amizade e apoio lhe permitem continuar com o caso. Batendo de porta em porta, Erin consegue a assinatura de mais de 600 denunciantes, e ela e Ed dispõem-se a ganhar a maior indemnização jamais conseguida numa denúncia directa na história dos Estados Unidos.

Após o filme, há debate sobre questões ambientais, com Manuela Tavares e Paula Chaínho.

11 NOV, 19.30h Tertúlia sobre Prostituição de Rua

Durante 5 anos, a investigadora Alexandra Oliveira acompanhou pessoas que praticam prostituição ou outros trabalhos sexuais, nas ruas do Porto. Além disso, desde 2000, tem feito intervenção na área da redução de riscos e da promoção da saúde com prostitutas e prostitutos, tanto de rua como de apartamento, e tem feito outras pesquisas envolvendo diversos trabalhadorxs do sexo, tais como alternadeiras e stripteasers.

Parte desse trabalho, desenvolvido no âmbito do doutoramento em Psicologia, na FPCE da Universidade do Porto, está agora acessível no livro ANDAR NA VIDA – Prostituição de Rua e Reacção Social, recentemente publicado.

Numa altura em que as campanhas conservadoras que misturam tráfico de seres humanos com o exercício do trabalho sexual chegam em força, ao mesmo tempo que é cada vez mais claro que o abolicionismo não responde às necessidades de quem presta serviços sexuais, urge reflectir e perspectivar alternativas feministas que promovam direitos sociais para quem presta serviços sexuais.

Foi a pensar nessa urgência que o CCIF convidou Alexandra Oliveira para uma tertúlia, à qual se junta também a investigadora em Estudos sobre as Mulheres e membro da direcção da UMAR, Manuela Tavares.

12 NOV Curso Livre Economia e Feminismos

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Inscrições para almoço, até 1 dia antes, para o mail: umar.sede@sapo.pt.

13 NOV Assembleia-Geral da UMAR

Anualmente, a UMAR reúne associadas e voluntárixs para uma discussão política e financeira alargada. Este ano, a Assembleia-Geral Ordinária realiza-se a 13 de Novembro, no CCIF, a partir das 9.30h.

O Café-bar disponibiliza almoço, para quem se inscrever até dia 12, às 17h. Inscrições para umar.sede@sapo.pt.

Contamos com a tua presença!

19 NOV Workshop Arte de Guerrilha

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22 NOV 20.30h Tertúlia Mulheres e Guerra Colonial

Documentário sobre as mulheres na Guerra Colonial

A Guerra Colonial teve início em 1961. Cinquenta anos após este acontecimento que marcou gerações de jovens neste país, a UMAR realiza um debate onde procura reflectir sobre as mulheres como sujeitos históricos, em termos das suas vivências em Portugal e em África, em quotidianos marcados por contradições entre o apoio esperado pelo regime a esta guerra e a sua revolta. As protagonistas de A Costa dos Murmúrios de Lídia Jorge e de Percursos de Wanda Ramos são bem o exemplo de retratos de mulheres que fugiam às normas esperadas. Margarida Calafate Ribeiro, autora do livro As Mulheres e a Guerra Colonial e Uma História de Regressos. Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo, Helena Neves e Diana Andringa, autoras de vários artigos e comunicações sobre o tema irão ser as nossas convidadas. A moderação irá ser feita por Natividade Monteiro.

Leilão UMAR

Terça-feira, 29 de Novembro, às 21h, o CCIF organiza um leilão de obras de arte e de livros autografados, de angariação de fundos para a UMAR. Oportunidade de adquirir peças artísticas e literárias únicas e contribuir, simultaneamente, para a continuação do trabalho da UMAR. Antes, às 20h, há jantar no café-bar do CCIF.

NOVEMBRO Agenda Cultural CCIF

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Detalhes nos posts que se seguem.

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